100 COISAS PARA FAZER NA APOSENTADORIA

         Para quem não leu a postagem anterior, esclareço que no Programa de Preparação para Aposentadoria (PPA) foram feitas muitas recomendações, algumas um tanto óbvias para o pós-carreira, tais como: ler livros, viajar, ter uma religião, ter amigos de sua faixa etária. Mas me chamaram mais a atenção as duas seguintes: escreva uma autobiografia e escreva uma lista de 100 coisas para fazer!
         A autobiografia já estou desenvolvendo através deste blog “Diário de Obra de Um Aposentando”; mas gostei muito da idéia da lista e passei a elaborar a minha própria “lista de 100 coisas para fazer quando estiver aposentado”. Apresento esta primeira versão da minha lista como um modelo prático para que os “aposentandos”, leitores do blog, se estimulem a desenvolver as suas próprias listas.
        Este é um exercício interessante, pois diariamente surgem novos tópicos que se candidatam a entrar na lista. Portanto esta é apenas a “Versão 1.0” da minha lista que ainda está sendo construída e penso que assim ficará permanentemente, crescendo sempre para muito além das 100 coisas...

ATIVIDADES COMPORTAMENTAIS
1 - Não andar de uniforme típico de aposentado (abrigos, bermudas e chinelos) nos dias úteis em horários comerciais, parra não fazer o tipo “tá na cara que é”; vestir-se normalmente como quem vai trabalhar de tênis, é claro!
2 - Não vagabundear e se tornar preguiçoso demais, apenas dormir até às 8hs e sestear meia hora;
3 - Não trocar, feito nenê, a noite pelo dia com leituras e escrevendo textos; manter atividades em horários fixos.
4 – Participar da tribo reunida em prol da AEAPOPPA
5 – Associar-me na tribo da ASTEC, para manter contato com a categoria dos municipários e ficar informado dos debates sindicais e sobre os movimentos que envolvam os aposentados.


ATIVIDADES CULTS ROTINEIRAS
6 - Ler pelo menos durante 1 hora por dia, especialmente aqueles livros que nunca consegui terminar de ler:
      7 – Ulisses de Joice
      8 – Rayuela de Cortázar (em espanhol)
      9 – Don Quijote de Cervantes (em espanhol)
     10 – A Obra Completa de Pablo Neruda (em espanhol)
     11 – A Obra Completa de Shakespeare
12 - Escrever ou digitar meus textos de projetos inacabados, pelo menos durante 1 hora por dia:
13 - Digitar e editar os poemas antigos, do tempo dos manuscritos
14 - Revisar e editar o meu livro Inventário da Crises
15 – Revisar e editar os meus textos do Jornalismo
16 - Caminhar pelo menos durante 1 hora por dia de segunda à sexta;
17 - Manter os exercícios de alongamentos matinais por 20 minutos diários;
18 - Estudar música
       19 – Praticar violão
       20 – Praticar piano
21– Digitar o arquivo dos Meus Poemas Favoritos dos Grandes Poetas
22 - Musicar as “poesias cantáveis” de minha autoria.
23 - Ver mais vezes o pôr de sol na beira do Guaíba
24 - Ver mais vezes o nascer do sol
25 – Frequentar o Curso de Letras na UFRGS
        26-Estudar espanhol
        27-Estudar inglês
28 – Frequentar Oficinas Literária
29 – Estudar as novas regras ortográficas da língua portuguesa
30 – Manter o blog autobiográfico Diário de Um Aposentando pelo menos até sair a portaria de aposentadoria, e ao final publicá-lo como livro!.
31 – Converter as minhas mais de 100 fitas de vídeos familiares para o formato digital
        32 – Concluir a edição da seleção de “Vídeos do Gildo” (meu irmão falecido) em DVD digital.
        33 – Editar uma seleção de”Vídeos das minhas crias soprando as velhinhas de seus respectivos aniversários”, em sequência, para dar a idéia dos anos passando rapidamente.
34 – Organizar as milhares de fotos digitais de minha autoria em arquivos temáticos
        35 – Fazer cursos de fotografias
        36 – Andar sempre armado de uma máquina fotográfica, inclusive pelas ruas portoalegrenses, para não mais perder as fotos que surgem inesperadamente.
        37 – Criar um blog de fotos, iniciando pela coleção “STREET ARTs”, com as fotos que venho tirando há vários anos dos artísticos “murais de grafitismos” pelos muros da cidade (muitos dos quais já extintos, só existem nas fotos de malucos beleza como eu).
38 – Criar novos blogs temáticos e postar, de modo a disponibilizar na rede todos os meus escritos.
ESPIRITUALIZAÇÃO
39– Estudar o dharma budista (Desfazer mal entendidos, perdoar e se auto-perdoar)
      40 – Praticar meditação pelo menos duas vezes por dia
      41- Ler o livro A Arte do Viver e do Morrer do Sogyal Rinpoche
      42 – Ler o Livro dos Mortos Tibetanos
      43 - Freqüentar os retiros budistas (para acompanhar a Magda)
44 – Estudar a Doutrina do Espiritismo
      38 – Ler o livro O Evangelho Segundo o Espiritismo
REALIZAÇÕES PENDENTES
45 - Freqüentar os eventos culturais de cinema, teatro e exposições das casas de cultura (gratuitos) em horário comercial
46 - Frequentar o observatório astronômico da UFRGS e obter um telescópio para observar as estrelas do meu terraço
47 - Viajar para Europa (quem sabe molhar os pés e as mãos no Mediterrâneo?)
       48 - Conhecer a Espanha
       49 - Conhecer Portugal
       50 - Conhecer a Itália
       51 - Conhecer a França
52 - Viajar para o Chile
       53 – Conhecer a casa de Pablo Neruda
       54 - Conhecer os Andes
       55 - Molhar os pés e as mãos no Oceano Pacífico.
56 - Conhecer Bariloche, para vivenciar as estações de esqui.
57 – Conhecer Machu-Picchu
ATIVIDADES CASEIRAS PENDENTES
58 – Colocar forro e piso laminado no sótão
59 – Enxotar definitivamente os morcegos do meu telhado
60 – Pintar as aberturas do terraço e os tubos da mureta
61 – Resolver o problema da fumaceira da churrasqueira na cozinha
62 - Resolver as infiltrações das lajotas quebradas do terraço
PROCEDIMENTOS MÉDICOS PENDENTES
63 – Fazer cirurgia de vesícula
64 – Retirar nódulos sebáceos
65 –Fazer implantes dentários
66 – Fazer cirurgia de hérnia
ATIVIDADES ESPORTIVAS PENDENTES:
67 -Associar-me num clube social perto de casa para recreação familiar (no Inter ou no Club Comercial?), onde eu possa:
     68 - praticar Natação
     69 – praticar Tênis em paredão

 REDES DE RELACIONAMENTOS PENDENTES
70 – Dominar o potencial das novas mídias de relacionamentos como meios de divulgação, na condição de um produtor de conteúdos em busca de seguidores onde eles estiverem:
      71 – Orkut
      72 – Facebook
      73 - Twitter
      74 – Comunidades artísticas
RECOMENDAÇÕES PENDENTES
75 - Ter amigos! (tradução: Freqüentar algumas tribos!) - Quais?... AEAPOPPA?... ASTEC?... Budistas?... Culturais?... ONGs?... Ambientalistas?... Todas?... Nenhuma destas?... Alguma outra tribo que surgir pelo meu caminho de desaposentado?...

        Total, já estarei bem acompanhado e ocupado com a minha lista de coisas para fazer na aposentadoria!

FORMATURA DA TURMA DE APOSENTANDOS

           Sobre o Programa de Preparação para a Aposentadoria (PPA), curso que iniciou em abril, eu já postei uma crônica intitulada   “AAA: AUXÍLIO AOS APOSENTANDOS ANÔNIMOS” no mês de setembro.
          Leia a crônica anterior com um clic no link abaixo, afinal este é o tema central deste blog:

O segundo semestre do PPA iniciou com  palestras sobre  os cuidados com a saúde  e a importância de reeducarmos nossos hábitos para a nova fase, ministrada pela colega Mara Lúcia Diel, a partir da qual inseri o consumo de mais uma fruta na minha rotina diária, para atingir a meta ideal de pelo menos três por dia.

          A propósito da questão deixada em suspenso na crônica anterior sobre o PPA, qual seja: - Quantos dias por semana ingeres bebida alcoólica: 1,2,3,4,5,6 ou 7? Lembram que eu deixei a questão em suspenso e a levei ressoando como um sino na minha cabeça, prometendo a mim mesmo ter uma resposta socialmente adequada para dar até o final do curso? Pois agora já posso responder que ingiro bebida alcoólica de duas a três vezes por semana e, sobretudo, eu que havia adquirido o vício de fumar uma única cigarrilha Talvis por dia, estou completando quatro meses sem fumar nenhuma cigarrilha!

Sobre a sexualidade na longínqua  terceiridade (que é a partir de 65 anos!) até a quarta idade (que é a partir dos 85 anos), fomos informados por um psicólogo que garantiu que há sexualidade(ufa!) e que não se restringe ao sexo; em que pese haver um condicionamento cultural contrário a que o pessoal da terceiridade expresse a  sua sexualidade.

Durante a palestra de uma psicóloga sobre “Pós-Carreira”, recebemos a notícia chocante de que havia morrido num acidente de trânsito o filho de uma das colegas de curso, a qual havia se aposentado recentemente e ficava feliz em responder com convicção de que “não pretendia fazer nada” na sua aposentadoria, apenas vivê-la intensamente. Momento em que  sentimos, da pior maneira possível, que todo um planejamento de projeto de vida pode desabar tragicamente de uma hora para a outra, que tudo é impermanente na vida.
Mas, a propósito dos  planos pós-carreira, o colega Jair Staruck do DMAE revelou para o grupo que pretende se ocupar com trabalhos de marcenaria, que há tempos vem montando uma oficina bem equipada em casa. Nós, o Jair e eu, que descobrimos que fomos hippies artesões da Praça Dom Feliciano no mesmo período, no início dos anos 70, vamos nos aposentar juntos como dois roliços barnabés, quem diria?
Entre as recomendações óbvias para o pós-carreira feitas pela palestrante, tais como, ler livros, viajar, ter uma religião, ter amigos de sua faixa etária; destaco as duas seguintes: escreva uma autobiografia e faça uma lista de 100 coisas para fazer! A autobiografia já estou desenvolvendo através do blog “Diário de Obra de Um Aposentando”; mas gostei  muito da idéia da lista e passei a elaborar a minha própria “lista de 100 coisas para fazer quando estiver aposentado”, a qual ainda está sendo construída e penso que assim ficará permanentemente, crescendo sempre para muito além das 100 coisas...
Mas, antes de apresentar a primeira versão da minha lista, como um modelo prático para que os “aposentandos” leitores do blog se estimulem a desenvolver as suas respectivas listas,  comento a última atividade letiva do curso, que foi a entrevista de dois aposentados(coincidentemente ambos ex-funcionários do DMAE) muito bem conduzida pela Cida, colega jornalista que também é do DMAE. Na ocasião, antes mesmo de iniciar oficialmente a entrevista, estive conversando com os três e ironizei que eu queria que, tudo bem, um dos entrevistados fosse do tipo empreendedor que estava desenvolvendo outra atividade na pós-aposentadoria (ou seja, que continuou correndo atrás de dinheiro); mas que o outro entrevistado representasse o tipo oposto, que correspondesse ao perfil do aposentado que usa o seu tempo livremente para atividades lúdicas, culturais e afetivas. Considero que ambos podem constituir modelos de aposentados felizes, ou será que não existe ninguém deste segundo modelo que seja feliz?...

Sobre os entrevistados, Sueli e Tomatis: ela agora é dona de uma lancheria-sorveteria/mini-mercado e ele, que revelou que ainda sonhava que estava trabalhando no DMAE, hoje trabalha indiretamente para o DMAE como químico de uma empresa terceirizada. Mas o que mais me chamou a atenção nos depoimentos dos entrevistados é a verdadeira veneração que, em geral, os ex-funcionários do DMAE mantêm pelo Departamento.
           Até pensei que, por estas contingências do destino, que talvez o meu desígnio como membro inesperadamente eleito para a diretoria da AEAPOPPA seja desenvolver algum trabalho no sentido de que a associação possibilite aglutinar os aposentados, dispersos e saudosos do DMAE que estão, em atividades lúdicas e recreativas, quem sabe?...

            A solenidade de formatura foi bem informal no auditório da SMA, com a Tanise Pazzim, que é a coordenadora do programa, fazendo os agradecimentos aos palestrantes, também presentes, e uma homenagem aos formandos com a apresentação de um vídeo mostrando alguns momentos do curso, o qual foi distribuído em DVD, feito diploma, para cada um.
         Das três turmas, que acompanharam os 15 encontros em 9 meses, em média chegaram até o final do curso quinze aposentandos em cada turma. Foi anunciado que para 2011 haverá 10 turmas, sendo que o curso será compactado de forma que consigam ministrar 5 turmas em cada semestre.

         Vale a pena? – À esta pergunta que outros colegas próximos da aposentadoria me fazem sobre o curso, respondo com os versos do poeta Fernando Pessoa: Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!
- Valeu muito pessoal da Turma 01 do PPA 2010!

Brinde natalino aos aposentandos da Turma 01 do PPA:


Em tempo: Aguarde a Lista das  100 Coisas para Fazer na Aposentadoria!

BALNEABILIDADE & BOLSAS DE ESTUDO

          Todas as primeiras quintas do mês a Universidade Corporativa do DMAE (UNIDMAE) está promovendo o Ciclo de Palestras Técnicas. Nesta quinta-feira passada, dia 05/agosto, participei pela primeira vez deste ciclo, fui ouvir a palestra de apresentação do Projeto Integrado Socioambiental (PISA), feita pelo colega Engº Valdir Flores.
             O projeto de ampliação do tratamento do esgoto cloacal de Porto Alegre é ambicioso, pois pretende tratar 80% até 2012, superando em muito a meta internacional da ONU, que propõe o índice de 67% para os países em desenvolvimento.
             A idéia básica do projeto, que já está com suas obras em pleno andamento, é coletar o esgoto da cidade que é reunido no Gasômetro, na Estação de Bombeamento de Esgoto (EBE) Ponta da Cadeia e, ao invés de continuarmos jogando o esgoto bruto no Rio Guaíba, conduzi-lo canalizado em tubos de aço pela Av. Beira Rio até o hipódromo na EBE Cristal. Lá haverá um mirante elevado como atração turística, dotado de um sistema de abatimento de gases para minimizar o mal cheiro do esgoto aos visitantes, que do mirante poderão admirar o pôr do sol.

          De lá, através da grande inovação do projeto que é a condução do esgoto por tubulação subaquática (tubo de PEAD de 11km sem emendas, submersos e enterrado no leito do Guaíba), conduzir o esgoto para ser tratado na  Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Serraria.  Somente após um tratamento do esgoto (denominado tecnicamente de terciário) que gera lodo ativado, vale dizer, descontaminado, é que devolveremos a água devidamente tratada ao seu manancial de origem.
              Restam ainda algumas questões ambientais a serem resolvidas, tais como: - O que fazer com os 150 m3/dia de lodo que o sistema de tratamento vai gerar? – O que fazer com o gás poluente que o tratamento de esgoto libera para o ambiente?... Estudos estão sendo feitos para o aproveitamento do gás como uma alternativa para gerar energia elétrica para o funcionamento da própria ETE Serraria, ou para a secagem do lodo que reduziria o seu volume para cerca de 30m3/dia...
            Reproduzo aqui o meu comentário feito neste blog na postagem de junho sob o título Dia Mundial da Água: Recuperar a balneabilidade das praias de Pedra Redonda, Ipanema e Guarujá, já pensou? Poder voltar, como nos nossos tempos de guri, a nadar novamente nestas praias, seria como podermos entregar aos nossos netos a cidade com a mesma qualidade de vida que a recebemos dos nossos pais, apesar do imenso aumento populacional! Eu não alcançarei a realização desta meta na ativa, mas aposentado espero estar vivo ainda para poder comemorar este verdadeiro “Dia D Glória da Água” portoalegrense.
             Saio tranqüilo para o meu retiro de “inativo”, pois sei que o mega projeto da Prefeitura que envolve R$ 580 milhões, dos quais os  380 milhões de reais destinados ao Dmae estão em boas mãos. Considero o Engº Valdir Flores um dos técnicos mais completos e versáteis do Departamento.  Trabalhei com ele como sendo meu diretor na Divisão de Projetos, quando desenvolvemos os sistemas Pitinga e Quirinas de abastecimento público por poços tubulares profundos (poços artesianos). Posteriormente voltei a trabalhar com o Valdir, quando eu já havia retornado à Manutenção, e ele havia assumido como Superintendente de Operações, período em que desenvolvemos o trabalho de eficientização energética através da implantação da CICEE (Comissão Interna de Controles de Energia Elétrica). Sempre mantivemos, o Valdir e eu, um relacionamento profissional respeitoso e com empatia de ambas as partes. Com toda esta “rasgação de seda” sincera pretendo fazer um gancho para resgatar um episódio pitoresco, em que o Valdir Flores mostrou toda a sua versatilidade e conquistou de vez a minha terna consideração.
          Trata-se do Causo das Bolsas de Estudo do DMAE ocorrido no ano de 2001, quando os funcionários foram surpreendidos, às vésperas do período de matrícula das escolas de Ensino Fundamental e Médio, ao receberem um comunicado da Administração Popular grampeado ao contra-cheque de outubro, de que havia um pacote de alterações dos critérios de concessão do Auxílio de Bolsas de Estudos através da Instrução DG 295/01. Naturalmente, os colegas pais e também os estudantes, que viam suas vidas serem desorganizadas sem a menor parcimônia e consideração, se organizaram num movimento legítimo e espontâneo de reação e tentativa desesperada de reverter esta decisão. Foi assim que, numa assembléia chamada pelas Administração para tentar acalmar o “burburinho” da massa se agitando, com a presença de mais de 100 funcionários, foram apontados os inúmeros equívocos contidos na resolução, tais como:
-A precipitação truculenta de implantação de modificações radicais sem o mínimo prazo de preparação psicológica e material das pessoas, que possivelmente teriam que mudar imediatamente de colégio seus filhos;
-A limitação de inscrição de apenas dois filhos como beneficiários (os pais teriam que escolher quais dos seus filhos seriam excluídos);
- O Critério de Sorteio de Bolsas Integrais até o final do curso do dependente, foi o ponto no qual a assembléia dos servidores decidiu concentrar a sua rejeição, por considerá-lo excludente, uma vez que reduzia em mais de 50% o número de beneficiários por ser um critério que dava tudo para poucos e nada para muitos, e se constituir na sistematização de uma tortura psicológica anual sobre as crianças e familiares (pois todos os anos haveria novos sorteios e a ameaça de perder a bolsa e ter que trocar de escola).
40 anos da DVM-2007
             Por ocasião dessa assembléia, da qual a Administração se retirou depois de se ver veementemente contestada, os servidores assumiram o comando da reunião e constituíram uma Comissão de Representantes dos Funcionários (composta por Valdir Flores/DVO, Silvia Fabbrin/COJ, Antônio Coelho/DVI, Magda Granata/DVO, Dione Borges/DVR, Denise Regina/DVR, Maria de Fátima Rodrigues/DVH, Mara Lúcia Diel/SVG, Eduardo Dias/COJ, Iara Morandi/DVP e Marco Guimarães e eu pela DVM). A Comissão buscou, inutilmente, por vários dias estabelecer um canal de comunicação, até  conseguir arrombar uma brecha diretamente no Gabinete do Diretor Geral, através de um ”Ato Público” (com cartazes e pirulitos) realizado nos Jardins da ETA Moinhos de Vento.

           Durante a evolução deste movimento foi se destacando a liderança carismática do colega Valdir Flores, e se revelando a sua talentosa capacidade oratória de se comunicar com a multidão reunida, o qual acabou assumindo naturalmente a coordenação daquela luta; enquanto eu passei a funcionar como uma espécie de consultor de estratégias de ação do movimento, devido à minha larga experiência sindical.
           O GDG (Gabinete do Diretor Geral), após finalmente se dignar a ouvir a nossa reivindicação de que a IDG fosse suspensa para se estudar formas alternativas de “rateio”, aos invés do critério de “sorteios”, delegou ao Superintendente Administrativo, na época o todo poderoso Ricardo Collar (que havia sido cogitado para ser o DG do DMAE, e acabou ficando amargurado apenas no segundo escalão do poder), para fazer as tratativas e discussões com os funcionários.

              Em reuniões manipuladas em que a Administração insistia em pautar a discussão dos “Procedimentos Operacionais do Sorteio das Bolsas”, enquanto em vão a Comissão de Representantes sugeria a discussão de um “Rateio Escalonado” por faixas salariais, até que esgotou-se todas as alternativas de se romper com a intransigência da Superintendência Administrava (incluída a DVH do Júlio Abrantes). Resultou que a Administração publicou o Regulamento do Sorteio com ostensiva prepotência, inclusive após o período de inscrições dos candidatos ao benefício, e com alterações (para pior) dos critérios estabelecidos na IDG295/01, restringindo  para apenas a “faixa 1” a concessão de bolsa integral até a conclusão do respectivo nível  de ensino (Infantil, Fundamental ou Médio).
          E seguiram atropelando todos como um tanque de guerra, desenvolvendo uma repressão ao movimento contestatório, através de proibição expressa para que as chefias não permitissem que funcionários participassem de reuniões sobre as bolsas de estudos. Espalharam tamanha onda de terror e medo que conseguiram esvaziar o movimento! Lembro que eu fiquei tristemente impressionado de como a esquerda era mais eficiente na repressão aos movimentos dos trabalhadores do que toda a nossa longa experiência anterior durante a luta pela democratização do país no período do final da ditadura já agonizante. Só nos restou publicar uma “Carta Aberta aos Funcionários”, denunciando todas as arbitrariedades ocorridas no processo e assimilar o refluxo do movimento.

            Confesso que entrei meio de gaiato nesta peleja, pois na verdade eu queria protestar era contra a extinção da minha bolsa de estudo na PUC do curso de Jornalismo. Até então, antes deste tumulto todo, as minhas filhas estudavam em escolas particulares, mas não conveniadas com as bolsas de estudo do DMAE. Até  então eu preferia pagar e poder escolher livremente a escola do que ficar condicionado por uma pequena ajuda de custo oferecida pelo Departamento. Mas, com a proposição da Administração Popular de oferecer “bolsas de estudo integral e até o final do Curso Fundamental”, resolvi concorrer na loteria deste verdadeiro “prêmio da sorte grande”, inscrevendo as minhas filhas para se candidatarem às vagas de bolsas na caríssima e ótima Escola João XXIII.
          O pitoresco é que no famigerado sorteio, nós que éramos radicalmente contra ele, por ser um critério que dava tudo para poucos e nada para muitos, fomos sorteados: o Valdir com uma e  eu com duas bolsas, e as nossas mulheres, as Magdas, também foram sorteadas com uma bolsa cada uma...Provamos que estávamos certos ficando com tudo entre poucos!
           A batalha não acabou por aí, ocorreu que no regulamento do sorteio, escrito em cima da perna com a soberba de “manda quem pode e obedece quem precisa”, foi determinado que o Ensino Fundamental seria dividido em dois sub-níveis: da primeira à quinta série e da sexta à oitava série. Assim, segundo o entendimento da Administração, as bolsas sorteadas seriam integrais até o final de cada um destes sub-níveis, e apenas para os servidores da faixa salarial mais baixa.
           A minha guria menor entrou na primeira série e a maior na quinta série na nova escola por força do famigerado sorteio, mas foi preciso que recorrêssemos à justiça para garantir o que estava determinado na IDG295/01, ou seja, que a bolsa seria integral até o final do Curso de Ensino Fundamental para os servidores de todas as faixas salariais. O fato é que somente através da IDG301 publicada em outubro/2002 é que foi modificada a redação da instrução anterior, restringindo para apenas a “faixa 1” a bolsa integral até a conclusão do nível de ensino, sub-dividindo o Ensino Fundamental em dois sub-níveis (válida para os novos sorteados!).
         A primeira vitória foi a conquista de uma “liminar judicial” e, por fim, a sentença nos dando ganho pelo mérito da causa, com a qual garantimos o benefício do “grande prêmio” que ganhamos no sorteio: por praticamente toda a vida escolar as minhas filhas tiveram literalmente a “sorte” de estudarem numa boa escola que não teriam acesso se não fosse através das bolsas de estudo do DMAE.
-Valeu DMAE!
-Valeu Comissão de Representantes!
-Valeu Valdir Flores!

PASSEIO VIRTUAL PELA DVM

             Desde o ano de 1978 do século e do milênio passado, que eu perâmbulo pelas dependências, recantos e locais da Divisão de Manutenção...

             Ao assumir voluntariamente a função de fotógrafo da DVM, fui construindo um grande acervo  de fotos ao longo deste período de 32 anos, especialmente após a popularização da fotografia digital...


               Feito um brinde de natal aos leitores dos blog "Diário de Obra  de Um Aposentando", que surpreendemente esta batendo a marca de 2.500 acessos em menos de um ano de existência, vamos disponibilizar um passeio virtual por todas as dependências da DVM,  com apenas um mágico clic do mouse no link abaixo:
              Não deixe de usufruir do seu brinde, faça este passeio no teleférico fotográfico pelo tecnológico mundo eletromecânico  da manutenção!!!...

O TOCADOR DE VIOLINO DA MANUTENÇÃO

          Uma figura que se tornou folclórica no imaginário do pessoal da manutenção foi o professor Cattini, que ministrou cursos de gerenciamento de manutenção para as chefias da DVM, lá pelos remotos anos noventa. Durante as aulas ele costumava fazer perguntas a um aluno aleatoriamente e, conforme o cara respondia, o professor fazia gestos de que estaria tocando violino...Com isto ele queria dizer que a resposta dada era um “solo de violino”, o que pra ele significava a popular “enrolação”, modernamente conhecida como “enrolation”.
         Assim a expressão “tocar um violino” ficou consagrada na manutenção, sendo usada quando se quer elaborar ou responder algum parecer “espinhoso”, daqueles que é preciso dizer algo contundente sem deixar escrito mais do que o estritamente essencial para não melindrar nem se complicar.
         Devido a esta minha vocação literária reprimida de escritor (que estou aproveitando para “soltar a franga literária” neste blog), cada vez mais fui assumindo esta função de “tocador de violino”, ou seja, de escrever textos por encomenda quando surgiam pepinos de grande porte que a manutenção precisava levantar a bola ou responder matando a jogada. Assim, acabei me tornando o tocador de violino oficial da DVM.
        Esta semana caiu na minha mesa a encomenda de elaborar um texto para responder aos questionamentos da Ouvidoria da Prefeitura, em função de que um grupo de funcionários da DVM teria procurado refúgio lá, em defesa de suas vantagens que julgavam ameaçadas pelas reestruturações operacionais que estão sendo implantadas na Manutenção. Foi somente então, buscando me municiar de argumentos para elaborar a minha tocata de violino, que fui informado das pendengas que estavam rolando entre o “pátio” e os “gestores”; já que não estou mais na linha de frente de chefiar pessoal e sim na retaguarda como uma assessoria técnica. Sabia apenas que estava em andamento uma reestruturação nos regimes de turnos de trabalho (que pretendia a extinção do regime de turnos diurnos de 12hs de trabalho por 36hs de folga) e na composição das equipes de manutenção (tanto elétrica quanto mecânica) que passariam a ser mistas, ou seja, eletromecânicas.
A minha sinfônica violinística para a ouvidoria informava que houve a criação de uma comissão reunindo servidores da DVM, da Divisão de Recursos Humanos, da Diretoria Geral e da Consultoria Jurídica para a reestruturação dos regimes de horário de trabalho, visando melhor atender a população de Porto Alegre.  Que a referida comissão reunida com representante do SIMPA decidiu que vão ser mantidas dez equipes em regime de turnos 12x36h de trabalho, sendo que oito equipes diurnas e duas noturnas; Seis das equipes diurnas em regime de turnos terão uma composição mista (eletricistas e mecânicos), e duas equipes serão constituídas genuinamente para serviços elétricos de alta e baixa tensão. Em regime de Trabalho Integral normal trabalharão seis equipes, sendo quatro equipes de composição mistas para atenderem preferentemente as Estações de Tratamento de Água (ETAs),  e duas equipes constituídas genuinamente para serviços de mecânica pesada.
Concluo a tocada de violino sugerindo que a Ouvidoria pode depreender que a reclamatória apresentada pelos servidores resulta sendo uma precipitação compreensível, provocada pela ansiedade deles verem seus paradigmas de trabalho sendo objeto de um estudo de reestruturação operacional.  Todavia, o procedimento de sucessivas rodadas de discussões tem mostrado que a questão está evoluindo para um projeto coletivo de melhoria contínua dos serviços de manutenção prestados pelos profissionais da DVM.

            Mas cá entre nós, o resumo da história contada no popular e na perspectiva de um ex-sindicalista, é que como o pessoal que trabalha em turnos diurnos, em regime de 12x36, trabalha um dia e folga o dia seguinte, eles se tornaram biscateiros nos dias de folga e reforçaram assim significativamente a renda familiar. Havia, pois, dois bodes mal quistos colocados na reestruturação da DVM: o da extinção dos turnos diurnos e o de misturar elétrica com mecânica em turmas mistas que atendam qualquer tipo de serviço. O bode das turmas mistas já vem de longa data sendo apregoado e rejeitado pelo pessoal, os quais se articulam por pavilhões no pátio em defesa de seus interesses. De longe o bode dos turnos é o que mais federia se fosse mexido. Uma vez pressionados por duas proposições indesejáveis, as lideranças forçaram uma abertura de negociação, tencionaram por todas as frentes possíveis, a sindical e inclusive a da Ouvidoria, e acabaram aceitando o bode das equipes mistas para evitar o mal maior, o fedorento bode da extinção dos turnos diurnos.

A tradição de mobilização dos funcionários da DVM é notória e conhecida. Modéstia à parte, mas tem um pouco da minha contribuição nesta consciência de classe e espírito de luta coletiva, devido ao tempo em que eu atuava na militância sindical tendo como base o chão de fábrica da manutenção (vide foto dos velhos tempos de mobilização de pessoal rumo a uma assembléia  sindical em carroceria de caminhão, valia tudo!). Vários diretores da DVM já ficaram com profundas olheiras tentando articular com o pátio e os pavilhões certas medidas antipáticas que precisavam implantar e, alguns, acabaram caindo do cargo nocauteados pelo movimento das massas, tal como eu próprio...É, eu já provei do meu próprio veneno!    

ALFORRIA: SE CORRER O BICHO PEGA IGUAL!

            Por incrível que pareça, mas conforme o nome deste blog, Diário de Obra de Um Aposentando, se trata de um diário; ainda que não apresentado cronologicamente. Como em qualquer períódico que se preze, ganham prioridade de publicação as postagens que estão vinculadas com fatos de interesse de leitura imediata do seu público. Passado esta última avalanche de temas da atualidade, podemos tentar retomar os textos que estão aguardando sua vez no blog há vários meses...

ALFORRIA: SE CORRER O BICHO PEGA IGUAL!
quarta-feira - 28/julho
               Ontem houve comemoração com vinho chileno Casillero Del Diablo (malbec!) e telepizza da Oca de Savóia, alusiva à data de 28 de julho de 2010; com direito a queima de um charuto cubano Romeo y Julieta, em cujo selo a dedicatória faz homenagem ao grande acontecimento desta data. No dia de hoje se configura o direito adquirido da absolvição do jugo do trabalho: data a partir da qual passo a dispor da minha Carta de Alforria para usá-la no momento que quiser. Fechei ontem o número cabalístico 95, da minha idade somada ao meu tempo de serviço, finalmente!
             Agora estou definitivamente na reta da bandeirada final de chegada no Grande Prêmio da Aposentadoria. Recebi a minha última vantagem de fim de carreira, o meu último “avanço trienal de 5%” em maio/2010, não restando mais nada o que acrescentar aos meus vencimentos, só surgem pela frente cada vez mais ameaças de perdas salariais, as quais não são poucas e vêm de todos os lados.

             Daqui pra frente passo a correr pelo resultado com o regulamento embaixo do braço, como se diz no futebol, pois já incorporei todas as vantagens previstas e tenho a minha carta de alforria guardada na manga como um coringa no jogo de carteado. Qualquer coisa, se o bicho for muito feio e der pra correr sem que o bicho pegue, corro que nem o Jalba até o Previmpa e cadastro o meu pedido de aposentadoria imediatamente!
            Recentemente já apareceram bichos bastante feiosos, mas que não ameaçaram o suficiente para me botar em pânico, mas quase, como foi a ameaça de corte da insalubridade em decorrência da implantação do novo laudo da perícia na DVM. Passado o susto inicial, a racionalidade voltou a imperar e, por enquanto, parece que tudo serenou sobre esta ameaça de perda salarial às portas da aposentadoria.

          Mas a SMA comunicou em seu informativo online que o “Comitê de Política Salarial da prefeitura reuniu-se com representantes do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) para nova rodada de conversações. Dentre os temas tratados, o Simpa mostrou especial preocupação com a ação civil pública movida pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público da Capital sobre o cálculo de concessão das gratificações adicionais e por regime especial (RTI e RDE) dos servidores municipais de determinadas autarquias. O governo enfatizou, durante a reunião, que o tema da ação também é uma preocupação do executivo municipal. “O governo, através da Procuradoria Geral do Município, está buscando a defesa jurídica para preservar os vencimentos dos servidores. A prefeitura foi notificada para prestar informações ao juiz”.

Boletim de dezembro/2010
           Quando a gente menos espera, às vezes, surgem os piores monstros. Como parece ser o caso desta ameaça do “Exterminador do Efeito Cascata” lançada pelo Ministério Público Estadual, que considerou irregular o cálculo de gratificações concedidas a servidores públicos municipais de Porto Alegre. Quebrando em miúdos, o tal efeito cascata que pretendem exterminar se refere à incidência do Regime de Dedicação Exclusiva (de 100%) sobre os avanços adicionais (de 15% e 25%) e às funções gratificadas incorporadas. Consideram que há vantagens incidindo sobre vantagens, o que constituiria um efeito cascata. É o anúncio de um rombo bem maior do que todas as outras ameaças de perdas anteriores, e ainda é extensiva a todos ativos e inativos. O promotor também pede a revisão de todos os benefícios já concedidos anteriormente. É pouco?...
           É o tipo de bicho que não adianta correr para o Previmpa e se esconder no pijama de aposentado que ele pega igual!

AEAPOPPA: A POSSE E O ESTADO DE CHOQUE

          Após ter tomado posse  ontem (dia 01/12/2010), através do edital emitido pelo presidentte da comissão eleitoral, o colega aposentado Ricardo Tavanielo que realizou um brilhante trabalho juntamente com sua equipe de apoio, a nova Diretoria da AEAPOPPA já em sua primeira análise nos relatórios preliminares de prestação de contas da gestão anterior, constatou e está tratando de comunicar a todos os seus associados a seguinte situação financeira encontrada:
1 – A associação arrecada cerca de R$ 14.000,00 com contribuições mensais dos sócios, e gasta em torno de R$ 19.000,00; portanto apresenta um déficit mensal de R$ 5.000,00.
2 – Este déficit acumulado em dívidas variadas, que vêm sendo roladas ao longo dos meses, já totaliza um débito total de cerca de R$ 97.000,00!
          Frente à situação financeira extremamente crítica encontrada na AEAPOPPA,  a nova diretoria deliberou que precisará adotar medidas imediatas austeras para saneamento da entidade, tais como corte de gastos e estancamento das perdas de recursos por inadimplências de associados.
         Buscando garantir a transparência administrativa, a Diretoria Renovação transmite este comunicado pedindo a compreensão e colaboração de todos os sócios nesta empreitada para juntos salvarmos a AEAPOPPA.

                  Mas podem apostar que o bicho vai pegar geral com esta Tropa de Choque contra a corrupção que assumiu agora a diretoria da AEAPOPPA!