NÃO À PRIVATIZAÇÃO DO DMAE, ÁGUA É ESSENCIAL NÃO VISA LUCRO!

 



NÃO À PRIVATIZAÇÃO DO DMAE, ÁGUA É ESSENCIAL NÃO VISA LUCRO!

Em 2024, apenas 28,8% dos cargos do DMAE estavam ocupados, e o setor encarregado do sistema de proteção contra cheias tinha um único servidor

Por Simpa Cores-DMAE (*)
Recentemente chegou ao conhecimento do Conselho de Representantes Sindicais (Cores) do Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE) um documento de acesso restrito, datado de 14 de julho de 2025, denominado “relatório de auditoria”, elaborado por equipe do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS). Trata-se de uma investigação minuciosa sobre o período de 1º de janeiro de 2020 a 1º de junho de 2024, voltada a identificar as causas e responsabilidades pelas falhas do Sistema de Proteção Contra Cheias (SPCC) de Porto Alegre durante o evento climático extremo de maio de 2024, a maior inundação já registrada na Capital, superando inclusive a cheia histórica de 1941. O que o relatório revela não é apenas um conjunto de números e datas, mas um retrato desolador de como a cidade foi deixada vulnerável, não por obra exclusiva da natureza, mas por uma sequência de omissões, decisões equivocadas e prioridades distorcidas.

Porto Alegre não se afogou apenas nas águas do Guaíba em maio de 2024. Afundou também na lama de escolhas políticas mal calculadas. Quando o nível do lago/rio ultrapassou a marca histórica, não foi apenas a cidade que transbordou, mas também a paciência de quem acreditava que o sistema de proteção estava pronto para agir. A expectativa era de que diques, comportas, muros e estações de bombeamento cumprissem seu papel. Mas, como em um enredo trágico, o que se viu foi a falência de um sistema inteiro, e não por falta de aviso.

O documento desmonta a narrativa oficial. Mostra que prefeitos, diretores e secretários sabiam dos riscos, mas preferiram fingir que as comportas funcionariam sozinhas, que as bombas não precisariam de manutenção, que equipes mínimas dariam conta de desafios máximos. Em 2024, apenas 28,8% dos cargos do DMAE estavam ocupados, e o setor encarregado de gerenciar todo o sistema de proteção contra cheias tinha a espantosa composição de um único servidor. Sim, apenas um. Porto Alegre, vulnerável como nunca, foi deixada à mercê de um arranjo administrativo incapaz até de acionar, em minutos, as medidas mais elementares para conter o desastre.

E não se trata de mera incompetência burocrática. Trata-se de escolhas políticas. Neoliberalismo na veia. Enquanto discursos inflamados sobre resiliência e mudanças climáticas enchiam palestras e coletivas de imprensa, a realidade mostrava que não havia investimento, planejamento ou ação concreta. O relatório revela que a drenagem urbana foi relegada, que recursos do DMAE foram desviados de sua finalidade legal e que a prioridade, longe de ser a segurança hídrica, parecia ser pavimentar o caminho para a privatização do Departamento. A tragédia não caiu do céu apenas na forma de chuva. Foi construída, gota a gota, ao longo de anos de negligência e subordinação de interesses públicos ao jogo de poder privado.

O preço disso não se mede apenas em bilhões de reais, embora a conta preliminar do TCE-RS varie entre 6 (seis) e 8 (oito) bilhões, sem falar nas indenizações que ainda virão. O custo maior foi humano. Foram casas, memórias e vidas despedaçadas. Foram bairros inteiros que, apesar de “protegidos” pelo SPCC, ficaram debaixo d’água, como se a cidade tivesse voltado ao tempo anterior aos diques. Foram milhares de pessoas obrigadas a viver meses em abrigos, assistindo à administração pública discutir culpados enquanto a lama secava nas paredes.

O relatório do Tribunal de Contas não é apenas um documento técnico. É a ata da nossa desproteção. É a prova de que a cidade não foi pega de surpresa pela natureza, mas traída por quem tinha a obrigação de defendê-la. E não por falta de alertas: afinal, as conclusões da auditoria apenas confirmam, com o peso da prova oficial, o teor das inúmeras representações já protocoladas pelo Cores/DMAE junto ao Ministério Público de Contas, denunciando sistematicamente a precarização e o desmonte do DMAE promovidos pelas gestões dos prefeitos Nelson Marchezan Júnior e Sebastião de Araújo Melo. Não foi descuido: foi uma política deliberada de enfraquecimento institucional, que transformou um órgão estratégico em peça de barganha e deixou Porto Alegre indefesa diante da maior enchente de sua história.

Se Porto Alegre quiser se reerguer, não bastará reconstruir muros e estações de bombeamento, será preciso reconstruir a confiança de que o poder público serve à população e não a projetos políticos de ocasião. Será preciso blindar o DMAE de aventuras privatizantes e garantir que cada centavo arrecadado nas tarifas de água e esgoto vá para a sua finalidade. Será preciso, acima de tudo, lembrar que a próxima cheia virá, e que, quando ela chegar, não haverá documento restrito que possa esconder a omissão.

Não à privatização!
O DMAE é de Porto Alegre!
O DMAE público é futuro para todos!
O DMAE privatizado é futuro para poucos!

(*) Conselho de Representantes Sindicais (Cores) do Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE), órgão consultivo e deliberativo do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa)

Porto Alegre não pode ficar refém de um monopólio privado.

Vote NÃO à concessão/privatização do DMAE!
Participe do plebiscito popular “O DMAE é do povo de Porto Alegre”! O plebiscito também está disponível online, pelo link: https://simpa.org.br/plebiscitodmae/

️ CONFIRA O CALENDÁRIO DAS AUDIÊNCIAS E PARTICIPE!
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⚠️ O SIMPA CORES DMAE alerta que privatizar vai fazer mal ao saneamento público.

DMAE PÚBLICO E ESTATAL, SIM!✔️
DMAE PRIVATIZADO, NÃO!❌

Serviço público não é negócio privado!

ASSOCIE-SE AO SIMPA, JUNTE-SE A NOSSA LUTA POR MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO!

Somos Municipári@s, somos Porto Alegre e vamos resistir!

AMPA-SIMPA: 35 ANOS DE LUTA DA CATEGORIA DOS MUNICIPÁRIOS!

 EU de cavanhaque, fazendo discurso décadas atrás na Esquina Democrática, construindo a ferramenta de luta como presidente da AMPA-SIMPA Sindicato dos Municipários de Porto Alegre, no vídeo comemorativo aos 35 ANOS DE LUTA DA CATEGORIA DOS MUNICIPÁRIOS DA AMPA AO SIMPA !







INDOLÊNCIA: TÁTICA PARA A PRIVATIZAÇÃO DO DMAE

 

Ao tomar a decisão de agregar a estrutura do Departamentos dos Esgotos Pluviais (DEP) a estrutura do Departamento Municipal de água e esgotos (DMAE), a Prefeitura Municipal resolveu um antigo problema de qualidade na Prestação de serviços à comunidade de nossa cidade, mas criou um problema maior para o DMAE por não alocar os recursos necessários para o desenvolvimento da atividade de drenagem. A incorporação das atividades do antigo DEP as atividades do DMAE, pode parecer lógica numa análise conjuntural sobre saneamento, porém a forma açodada como foi feita em Porto Alegre trouxe mais problemas que soluções. A Administração da cidade simplesmente transferiu a estrutura do DEP com alguns funcionários e junto com ela todo o passivo de problemas estruturais de conservação de redes de drenagem e estações de bombeamento, sem a locação de nenhum recurso para investimentos. Todos nós sabemos que o único recurso que se poderia contar para essa tarefa seriam os oriundos da tarifa 3 de esgoto do DMAE, que tende ao longo tempo ser extinta, devido a ampliação das redes coletoras de esgoto sanitário. Toda a estrutura de drenagem urbana foi incorporada ao DMAE e este passou a assumir todo o passivo de problemas de redes obsoletas, má conservação e estação de bombeamento degradadas. Tudo foi absorvido pela estrutura e orçamento do DMAE, com recursos oriundos das tarifas de água e esgotos.

A tarifa de esgoto sanitário cobrada pelo DMAE, já a algum tempo está defasada e carece de um novo estudo de reestruturação, o que agravou ainda mais com a agregação da drenagem urbana a sua estrutura, onde alguns investimentos planejados tiveram de ser divididos com o novo irmão agregado.

A saga privatista segue entranhada nos gabinetes de nossa Prefeitura Municipal e o Prefeito Melo, quer conceder o DMAE a iniciativa privada. A justificativa para tal é de que a Autarquia Municipal não possui recursos para fazer investimentos necessário para atender o que preconiza o Plano Nacional de Saneamento no tocante a coleta e tratamento dos esgotos (90% com coleta e tratamento de esgotos até o ano de 2033). Sabemos que hoje o DMAE coleta e trata mais de 62% dos esgotos gerados por nossa cidade e possui uma capacidade de tratamento de mais de 80%. Existem várias obras de redes coletoras e ampliações do sistema de captação e condução dos esgotos em andamento que melhorarão esses indicadores. O que nos chama atenção é que o Prefeito, que possui boa parte do Legislativo em suas mão, não toma a iniciativa de negociar uma reestruturação tarifária de esgoto sanitário, com a drenagem urbana, o que alavancaria os recursos necessários para os investimentos preconizados no Plano Nacional de Saneamento e alavancando os recursos necessários para os próximos 10 anos, a partir dos 300 milhões existentes em caixa do DMAE. O Governo Municipal desiste de tratar um membro (realinhar a tarifa de esgoto), preferindo sacrificar o corpo todo (concessão do DMAE), isso é incompetência, má vontade ou falta de coragem. Temos um novo Governo em Brasília, que já deu mostras de sua contrariedade com a política de concessões e se propõe a abrir o caixa do BNDES e CEF para disponibilizar os recursos para a melhoria dos indicadores do saneamento em nosso país e mesmo assim os ocupantes do Paço Municipal não parecem sensibilizados com essa ideia, trabalham única e exclusivamente com a ideia de concessão desses serviços. Todos sabemos que o DMAE é um órgão superavitário e já deu mostras de sua capacidade de empreender e enfrentar desafios, graças a capacidade de seu qualificado corpo funcional, que apesar de reduzido consegue ainda dar as respostas necessárias aos estímulos de fazer saneamento de qualidade para Porto Alegre.

Um órgão que teve a ousadia e a capacidade de implantar um Programa Integrado socioambiental em nossa cidade, com investimentos vultuosos superiores a 600 milhões de reais, na época, e que entre outras coisas elevaram a nossa capacidade de tratamento de esgotos de 27% para 80%, agora se sente incapacitado buscar financiamentos e ou investir com recursos próprios para aumentar sua eficiência no processo de tratamento de esgotos. Enquanto isso constatamos que no final de 2022, sobra 300 milhões de reais em caixa. Ora, o Governo Municipal prefere fazer caixa e especular no mercado financeiro em detrimento a investimentos no setor de saneamento, alegando que não há recursos para tal. É um contrassenso total. Isso é o que comumente chamamos de incapacidade de gestão administrativa.

Engenheiro civil, diretor do Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (Senge-RS), conselheiro do Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre (DMAE) e conselheiro da Astec

LIVRO DIÁRIO DE UMA PANDEMIA

 




                                                DIÁRIO DE UMA PANDEMIA

Dois Anos de Covid-19

PREFÁCIO

“Diário de uma Pandemia - dois anos de Covid-19”, de Celso Afonso Lima, resgata semana a semana os principais acontecimentos dos anos de 2020, 2021 e até a metade de 2022. As medidas de isolamento impuseram a centenas de milhões de pessoas em todo o mundo modificações no comportamento e romperam o convívio social físico humano. Celso Afonso Lima desenvolveu um verdadeiro método para enfrentar o isolamento: acompanhava diariamente a imprensa, confrontava as notícias com informações balizadas, avaliava sua importância e pertinência, e escrevia! O cultivo da escrita, de uma escrita sistemática e racional, pautada por valores de convivência, pela vida, enfrentou as variadas expressões da necropolítica do governo Bolsonaro, e essa luta em que a pena é a espada, convertia-se na própria arma de Celso Afonso Lima contra a ansiedade e a solidão da pandemia.

A intensidade da pandemia favorece seu esquecimento, mas a verve de Celso não aceita entregar a experiência de mão beijada. Ao aceitar integralmente as armas da razão, Celso, desliza para outras racionalidades, incorpora reflexões indígenas, reorienta seu pensamento, refaz seu humor, toma um gole de água para aliviar sua enorme sede de justiça, e nos oferece a expressão de força e esperança em seguir sua jornada, que é nossa, de todas e todos.

O sofrimento que todos conhecemos, se não negamos a gravidade do que se passou nos dois primeiros anos de pandemia aqui no Brasil, o sentimento de ficarmos incertos sobre a nossa sobrevivência fez com que jogássemos com todas as nossas fichas, e Celso Afonso Lima jogou pesado. Suas fichas mostraram uma grande capacidade de pesquisa e avaliação, suas fichas carregaram o alto valor de sua inconformidade e, sobretudo, expressaram grande carga de esperança. Todo o diário é permeado de afeto, são textos construídos com grande esmero, cheios de informações e confrontações, escritos para leitoras e leitores sensíveis, que quisessem e queiram saber sobre a importância do autocuidado social, da democracia e a importância do Estado para a vida nas sociedades contemporâneas, uma elucidação franca e amigável.

Lembranças, amizades, leituras, músicas, a televisão, tempos de universidade, passeios de mãos dadas, seus cabelos a crescer, poesia, literatura e filosofia, tudo se acumula no texto de Celso pela sobrevivência. A inconformidade com a ameaça permanente de morte, com a estupidez do poder, com a ignorância e a irracionalidade é atenuada pela exposição dos fatos e confrontação dos argumentos, como quem se abaixa, levanta a cabeça da criança e a anima com uma explicação. Texto doloroso pelo que evoca, momento duríssimo para todos, acaba por apaziguar pela razão a angústia de continuarmos sobrevivendo ao fascismo, às milícias e à pandemia.

 

Tiago de Castilho Soares

Doutor em Sociologia Política/UFSC

Autor do livro “Désceo Machado nas chanchadas do CBN Brasil”


DIÁRIO DE UMA PANDEMIA

Dois Anos de Covid-19

 

NOTA DO AUTOR

                Quando a pandemia de Coronavírus se espalhou rapidamente pelo mundo e chegou até o Brasil, do norte ao sul do país, ficamos estupefatos com a avalanche de novos acontecimentos amedrontadores que alteravam nossas rotinas cotidianas. Os termos dominantes nos meios de comunicação de massa e nas redes sociais passaram a ser o uso de máscaras, isolamento social, uso de álcool gel e fique em casa.

Já no mês de março de 2020 dominavam os telejornais as divulgações dos números de novos casos de infectados de coronavírus e de mortes diárias por causa da pandemia de Covid-19, a gripe que o vírus causa provocando graves insuficiências respiratórias. Atônitos ficávamos apreensivos diante dos gráficos que demonstravam o assustador crescimento da gravidade da pandemia em nosso país, em nossa cidade e no nosso bairro. A Covid-19 estava entre nós, onde chegou acelerada e pegando geral.

Como é do meu hábito cultural, em situações de prolongados estresses a minha terapia de autoajuda costuma ser escrever crônicas ou versos narrando os episódios e suas implicações e desdobramentos. Nesse caso percebemos todos que estávamos diante de uma calamidade pública que mudaria radicalmente nossas vidas por um longo período.

Combinando a pandemia com a conjuntura política do Brasil, sob um governo negacionista, percebi que viveríamos numa batalha inesgotável de conflitos diários contra os preceitos científicos de combate à pandemia de Covid-19, pois o bolsonarismo estava sempre negando os protocolos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e adotados por todos os países do mundo.

Então comecei a fazer anotações dos principais fatos ocorridos diariamente, e passei a assistir religiosamente os telejornais para receber a minha overdose diária de más notícias sobre mortes e sofrimentos pelos sintomas da Covid-19 e pela falta de acesso aos hospitais superlotados. Bem como passei a registrar as peripécias e manobras negacionistas do governo bolsonarista para minimizar o que chamava de “gripezinha”. Comecei assim a escrever este meu Diário de Uma Pandemia, para me convencer a cada dia que no dia seguinte a luta pela sobrevivência consistiria em continuar isolado de quarentena em casa.

Com a população em isolamento social e usando máscaras nas saídas essenciais de casa, naquela época tinha muita gente trabalhando em home office e fazendo lives e vídeos com suas narrativas chamadas de podcasts nas redes sociais. Foi então que, em meados do mês de março de 2020, me animei a gravar no meu celular um vídeo com eu fazendo a leitura de um texto meu sobre a Subnotificação dos casos e mortes pela pandemia no Brasil. Foi assim que me tornei uma espécie de Youtuber, passei a postar no meu canal no Youtube minhas leituras para divulgar os textos do meu Diário de Uma Pandemia.

Logo em seguida recebi uma dica de que, ao invés de fazer a leitura dos meus textos impressos em folhas de papel, eu devia usar um aplicativo de teleprompter e ler os textos diretamente na tela do celular, evitando assim os desvios de olhar e tornando mais padrão “Jornal Nacional” a comunicação com o meu telespectador, por parecer estar falando de improviso.

A partir de então, obtendo algumas visualizações nas redes sociais do Youtube, Facebook e Instagram, fiquei estimulado a continuar desenvolvendo em forma de crônicas os registros dos episódios da tragédia diária que estávamos todos vivenciando, e a divulgar a leitura dessas crônicas do Diário de Uma Pandemia em vídeos nas redes sociais.

Ao final, no terceiro ano da pandemia do Covid-19, já tinha preenchido com anotações em manuscritos cinco cadernos do tamanho de um livro, que se transformaram em 42 crônicas divulgadas em vídeos. Crônicas essas que agora estou publicando aqui, neste formato de livro, que ainda é o arquivo ideal para os textos literários serem guardados.

Faço esta publicação sobretudo por que acredito que as narrativas das ocorrências registradas neste livro, quer sejam trágicas, pitorescas, grotescas ou ideológicas, descrevem a trajetória de uma realidade inimaginável antes e inacreditável no futuro, se não estiver acompanhada da descrição evolutiva diária dos fatos ocorridos. O fato é que durante esta Pandemia de Covid-19 a nossa geração vivenciou uma realidade de um surrealismo ficcional cinematográfico. De tal forma que as gerações futuras não vão acreditar, com a devida dimensão, por tudo o que a gente passou e sofreu de angústias e medos, se não for narrado com o pânico do realismo minucioso do dia-a-dia, como o descrito neste Diário de Uma Pandemia: Dois Anos de Covid-19.

Junho de 2022

Celso Afonso Lima

A PRIMEIRA DÉCADA DA MINHA APOSENTADORIA

 


Estou comemorando dez anos

Da maior conquista da minha vida

Uma aposentadoria com salário integral

Por uma regra que no Brasil não é mais o normal

E a liberdade de andar sem mais correrias

Contra o relógio ponto pelas ruas da cidade

E poder reduzir o ritmo afinal, pela idade

Pra caminhar observando o sol

Nos jardins dos edifícios nos arredores

E os detalhes coloridos de suas flores

Como que pintadas ou bordadas

Por inspirações superiores

E se encantar com as cores que voam livres

Nas asas das borboletas inquietas

Sob o olhar sentinela dos gatos

Nos solários dos peitoris das janelas

Indiferentes aos cães nas calçadas

Que puxam seus donos pelas coleiras

Para fazer xixi no tronco dos ipês coloridos

Ou cocô no canteiro de um florido jacarandá

Estou comemorando uma década

De uma aposentadoria muito bem usufruída

Sem tédio ou ansiedade, com as horas bem distribuídas

Com tempo suficiente para se deter

Para ver o sol poente colorir o céu

E tingir de dourado ou rubro o rio Guaíba

Como que pintados por pincéis de artistas

Misturando Frida Kahlo com Van Gogh

E também admirar o céu noturno

Que as fases da lua do seu jeito clareiam

Com as respectivas estrelas que a rodeiam

Nas diferentes estações anuais

Estou comemorando os primeiros dez anos

De uma liberdade que me custou

Quarenta longos anos de cativeiro

Por uma aposentadoria libertária

Modéstia à parte merecida

E que tem correspondido às minhas expectativas

Pois tenho, finalmente, realizado

Aquilo que sempre sonhei e busquei

Não só para escrever poemas e crônicas

Coisas que faço desde a adolescência

Mas principalmente para compartilhar na internet

Em tempo real, tudo o eu que criar de novo

E também o que está engavetado a vida toda

Em papéis amarelados pelo tempo e roídos pelas traças.

Nesta comemoração faço um brinde especial

Ao engenheiro servidor público que fui fazendo carreira

Que por sua consciência social da função teve persistência

Até se aposentar neste período de perdas dos direitos da previdência

E saúdo o meu Lado B libertado com voz ativa

Que com audácia assumiu as rédeas da minha vida

Publicando vídeos feito um influenciador youtuber

Com as criações literárias do meu vício de escrever

Bem como fez a edição do meu livro Memórias

Com as crônicas do meu blog Diário de Um Aposentando

E realizou a gravação de três CDs de músicas

Com músicos e arranjos profissionais nas canções

De antigas e novas composições de minha autoria.

Estou comemorando o período de 2011 à 2021

Que se encerrará com dois novos livros meus:

Pandemia de Versos e Diário de Uma Pandemia 

Avaliando que na próxima década preciso focar mais

Em desengavetar de vez meus escritos encalhados

Que ainda são muitos projetos inacabados

Preciso fazer isso como quem esvazia as gavetas

Se preparando para a definitiva viagem

Para a qual não se leva bagagem

Pois não sei quantas décadas mais terei

E antes de dar por cumprida a minha missão aqui

Preciso viver cada década como se fosse a última

Para que, de mãos abanando pra quem fica

Na hora certa eu possa partir sem lástimas

Por ter, enfim,  deixado até a minha derradeira dica.

                                                                 09/10/2021

                                                                 Celso Lima

Veja o Vídeo declamado no youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=ZINaY31aEEc&ab_channel=CelsolYoutuberCelsoAfonsoLima

 

2001: A Odisseia da Previdência dos Municipários

 

Que longa fase de sofrimentos está passando a categoria dos municipários de Porto Alegre. Primeiro, logo após a posse do prefeito Marchezan em 2017, ao invés do negociar o reajuste dos funcionários, decidiu reduzir os salários em 3%, através de um projeto  de aumento da contribuição previdenciária de 11% para 14%, sem apresentar nenhum cálculo atuarial que justificasse um aumento de contribuição desnecessário, conforme o próprio Previmpa afirmou. 

Depois veio o Segundo Projeto de Maldades do prefeito Marchezan, que foi o projeto de Reforma do Estatuto dos Servidores Municipais, que foi aprovado com folga em março/2019. O crime do mandante prefeito foi cometido pelos vereadores com requintes de traição, extinguindo direitos estatutários dos servidores municipais. Extinguiram a progressividade percentual dos regimes de trabalho, definindo que as gratificações por regime especial de trabalho não poderão ser majoradas por quaisquer acréscimos decorrentes de tempo de serviço; alteraram os avanços de 5% a cada três anos para 3% a cada cinco anos por tempo de serviço; extinguiram o adicional de 15% e 25% por tempo de serviço e alteraram as Funções Gratificadas (FGs) que só serão incorporadas com 10 anos de exercício após o funcionário completar todos os requisitos de aposentadoria voluntária. Além disso, o projeto previu que os reajustes incidirão sobre o valor do salário básico, e não mais sobre os adicionais, o que achatou ainda mais os vencimentos dos municipários porto-alegrenses.  

De lá pra cá, desde 2016  os municipários não receberam mais nenhum reajuste salarial, nem a reposição da inflação desses seis anos, acumulando uma corrosão salarial de 24% de perdas no seu poder aquisitivo.

Surfando na onda ascendente da extrema-direita, o recém eleito prefeito Sebastião Melo aproveitou o Terceiro Projeto de Maldades do seu antecessor Marchezan, o Projeto de Reforma Previdenciária, para o qual ele não havia conseguido aprovação da bancada de vereadores da legislatura anterior. Possuindo uma maior base de apoio parlamentar, o atual prefeito conseguiu aprovar a tal Reforma da Previdência  em junho/2021, atropelando com mais um pacote de maldades a sofrida classe dos servidores municipais da capital.

Conforme Nota de Repúdio da ASTEC, contrária à Cartilha que o governo distribuiu para enganar os servidores, este projeto de reforma aumenta o tempo de serviço, aumenta a contribuição dos atuais servidores e reduz os proventos de aposentadoria. Tudo sob a falsa alegação da “necessidade de sustentabilidade do sistema previdenciário”, uma vez que está mais do que comprovado que o Previmpa é um sistema superavitário.

A Astec esclarece que até 2001, ano de fundação do Previmpa, a aposentadoria dos servidores era encargo exclusivo do governo municipal. Não havia contribuições previdenciárias nem do servidor  nem patronal.

Com o advento do Previmpa, se constituiu a partir de 2001 um fundo de aposentadoria e pensão por um sistema de capitalização para os novos servidores, ou seja, de contribuições dos servidores e patronal,  gerenciado pelo instituto  em um fundo próprio previdenciário que pagará integralmente as futuras aposentadorias e pensões desses novos servidores.

Entretanto, para os servidores antigos, anteriores a 2001, e aos servidores já aposentados, que passaram a também contribuir para a previdência com 11%, para os quais nunca houve contribuições patronal anteriormente, há uma dívida do munícipio para com eles.

O Município assumiu a dívida mas optou por não aportar o seu valor  total, que pelo cálculo atuarial previdenciário era estimada em cerca de 3 bilhões de reais, e decidiu não incluir os servidores antigos no novo regime de Fundo Capitalizado.

Na época, a prefeitura escolheu aportar mensalmente a complementação que faltasse das contribuições previdenciárias desses servidores num “Regime de Repartição Simples”, para totalizar o pagamento das atuais aposentadorias e pensões. Significa que os servidores antigos, ao pagarem as contribuições para as suas aposentadoria estão, de forma solidária, ajudando a  pagar aos aposentados das gerações anteriores com a aporte que a prefeitura complementa.

Assim, se estabeleceu dois regimes próprios previdenciários no Previmpa, a partir do marco temporal do início da Odisseia da Previdência dos Municipários em 2001. Um regime relativo aos novos servidores no Regime de Capitalização que hoje já conta com cerca de 400 aposentados, e o outro regime relativo aos servidores antigos no Regime de Repartição Simples com aportes complementares do fluxo de caixa do executivo. Esses aportes da prefeitura gradativamente vão diminuindo na medida que os servidores antigos forem se aposentando.

Conforme Edemilson Todeschini, presidente do Conselho de Administração do Previmpa, os servidores vêm sofrendo confiscos desde o prefeito Marchezan, pois a autonomia que a prefeitura ganhou de aumentar alíquotas está condicionada a buscar garantir a autossuficiência do sistema previdenciário. Entretanto, estudos atuariais comprovam que o Previmpa é superavitário, cujo Fundo de Capitalização já contabiliza cerca de 3 bilhões de reais aplicados no mercado financeiro.  A prefeitura tem usado uma interpretação intencionalmente equivocada de que a dívida assumida lá atrás seja um déficit do sistema, e quer que os servidores paguem a dívida que é da prefeitura.

Em 2009 já houve uma reforma que retirou o poder do Conselho do Previmpa de indicar o Diretor Previdenciário e o Diretor Administrativo que passaram a ser indicados pelo prefeito, facilitando o executivo de fazer essas manobras políticas diretamente com a Câmara de Vereadores para se apropriar dos recursos da previdência dos municipários.  Neste projeto de reforma o governo pretende retirar o caráter deliberativo do Conselho do Previmpa, órgão que passaria a ser meramente consultivo dos diretores nomeados pelo prefeito, para eles  fazerem as falcatruas que quiserem com o dinheiro da nossa aposentadoria e pensões.

As narrativas dos prefeitos são no sentido de que os servidores municipais da capital eram privilegiados em termos previdenciários. Alegam estar implantando no município a igualdade com o que foi feito no Congresso Nacional em relação à previdência dos trabalhadores no país, onde passaram a boiada por não haver mobilização popular nesta conjuntura de pandemia do coronavírus para o enfrentamento na defesa dos direitos conquistados com décadas de lutas.

O prefeito Melo chegou a apelar para a tática de incutir o medo na categoria, ameaçando aumentar as contribuições de 14% para até 22% por lei complementar, se não conseguisse a sua almejada reforma da previdência com o aumento das idades para a aposentadoria.  

Com esta chantagem mediante ameaça sobre os funcionários e vereadores da oposição, o prefeito conseguiu, após sofrer uma derrota no plenário, reverter o voto que faltava para aprovar o seu projeto de reforma da previdência na capital.

A Câmara de Vereadores de Porto Alegre deu aval ao ataque do prefeito Melo à Previdência dos municipários e aprovou, em segundo turno, por 24 votos a 12, o Projeto de Emenda à Lei Orgânica – PELO 02/20, que muda as regras e a idade para a aposentadoria, além da Emenda 1 e da sua Subemenda 2. Veja como fica pelo site do Simpa:

 

Regra geral:

Aposentadoria por idade:

a) 62 anos de idade, se mulher, e 65 se homem;

b) 25 anos de contribuição

c) 10 anos de efetivo exercício no serviço público

d) 5 anos no cargo efetivo em que for concedida a aposentadoria

 Aposentadoria Compulsória: 70 anos

 Professor:

a) 57 anos de idade, se mulher, e 60 se homem;

b) 25 anos de regência

c) 10 anos de efetivo exercício no serviço público

d) 5 anos no cargo efetivo em que for concedida a aposentadoria

 Aposentadoria de servidor exposto a agentes insalubres:

60 anos de idade

25 anos de exposição aos agentes nocivos

10 anos serviço público

5 anos no cargo

 Pessoa com deficiência:

10 anos de serviço público

5 no cargo

 >> REGRAS DE TRANSIÇÃO:

Para quem tenha ingressado no serviço público em cargo efetivo até a data de entrada em vigor do PELO 02/2020:

 PONTOS:

Idade:

Em 2021, 56 anos de idade, se mulher, e 61 anos de idade, se homem

A partir de 2022, 57 anos de idade, se mulher, e 62 anos de idade, se homem

 Tempo de serviço:

30 anos de contribuição, se mulher, e 35 anos de contribuição, se homem

20 anos de efetivo exercício no serviço público

5 anos no cargo efetivo em que se der a aposentadoria

 

Pontos (somatório da idade e do tempo de contribuição):

Em 2021: 86 pontos, se mulher, e 96 pontos, se homem

A partir de 1º de janeiro de 2022, a pontuação será acrescida a cada ano de 1 ponto, até atingir o limite de 100 pontos, se mulher, e de 105 pontos, se homem

Ingresso no serviço público até 31/12/2003: Ao servidor que tenha ingressado no serviço público até 31 de dezembro de 2003 e que possua, no mínimo, 15 anos na carreira, a pontuação é limitada a 95 pontos, se mulher, e 100 pontos, se homem.

 Proventos:

– Para quem ingressou até 15/12/1998: paridade e integralidade, desde que tenha, no mínimo, 15 anos na carreira a qual pertence por ocasião da aposentadoria, e 57 anos de idade, se mulher, e 62 anos de idade, se homem

– Professores que ingressaram até 15/12/1998: paridade e integralidade, desde que tenham, no mínimo, 52 anos de idade, se mulher, e 57 anos de idade, se homem

– Para quem ingressou até a entrada em vigor do PELO 2/2020: integralidade da média aritmética simples correspondente a 90% das maiores remunerações, desde que tenha, no mínimo, 15 anos na carreira

– Para quem ingressar a partir da entrada em vigor do PELO 2/2020: valor a ser fixado em futura Lei Complementar

 PEDÁGIO:

Idade:

57 anos de idade, se mulher, e 60 anos de idade, se homem

Pedágio (período adicional de contribuição equivalente ao resultado de percentual aplicado sobre o tempo que, na data de entrada em vigor do PELO 2/2020, faltaria para atingir o tempo mínimo de contribuição:

Quando faltar até 5 anos para se aposentar: pedágio de 50% do tempo que falta

Quando faltar de 5 a 8 anos: pedágio de 70% do tempo que falta

Quando faltar mais de 8 anos: pedágio de 100% do tempo que falta

Observação: O pedágio só terá que ser cumprido até os 62 anos, se mulher, e 65 anos, se homem, embora os demais requisitos tenham que ser cumpridos

 

        Com a aprovação, como parte do pacote de maldades, do Projeto de Lei Complementar Executivo – PLCE 18 de 2020, veja como fica pelo site do Simpa:

Segundo análise da assessoria jurídica do SIMPA, ao contrário do conteúdo do PELO 002/2020 – que se restringia basicamente à fixação de idades mínimas de aposentadoria, tempo de contribuição e de serviço público, além das regras de transição para quem já está na carreira pública;  – o PLCE 18/2020 complementa e amplia profundamente a reforma previdenciária, entrando em temas como as alíquotas previdenciárias; cálculo dos proventos de aposentadoria; possibilidade de acumular proventos e pensões; redução do valor das pensões; entre outros, inclusive o absurdo de passar a admitir a utilização do fundo de previdência para concessão de empréstimos consignados aos segurados, o que pode vir a prejudicar a administração e saúde do próprio fundo.

 - Diminui a faixa de isenção da contribuição previdenciária de aposentados e pensionistas do teto do RGPS. A alíquota previdenciária de 14% passa a incidir sobre o que supera o teto. Hoje, o salário mínimo brasileiro é de R$1.100,00 enquanto o teto do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) é de R$ 6.433,57. Esse valor é o atual teto de isenção da contribuição previdenciária para aposentados. A perda remuneratória é a mesma para todos os níveis na prefeitura, a partir do limite do teto do RGPS, porque é essa diferença que passará a ser tributada (R$ 6.433,57 – R$ 2.640,00 = R$ 3.793,57) = 14% x R$ 3.793,57 = R$ 531,10 de perda mensal nos nossos salários.

Principais alterações:

- Estabelece a regra geral para o cálculo dos proventos: 60% da média (considerando 90% das contribuições desde julho/1994), com acréscimo de 2% para cada ano que exceder 20 anos de contribuição. Portanto, para o servidor se aposentar com a “média integral” precisará contar com 40 anos de contribuição; - limita os proventos de aposentadoria ao teto do RGPS para os novos servidores e limita a possibilidade de acumular pensão e proventos de aposentadoria;

- Reduz o valor das pensões: será concedida uma cota familiar, correspondente a 60% do valor da aposentadoria, + 10% por dependente, limitado a 100%, sendo que quando um dos dependentes deixa de ter essa condição o seu benefício (10%) não reverte para os demais, mantendo-se a pensão integral apenas para dependente inválido ou com deficiência intelectual, mental ou grave;

- Acaba com a isenção da contribuição previdenciária de aposentado portador de doença grave, que hoje corresponde ao dobro do teto do RGPS (atualmente só contribuem sobre o que excede a R$ 12.867,14); exclusão dos benefícios auxílio-doença, salário maternidade, salário-família e auxílio-reclusão; -

- Garante o abono permanência equivalente ao valor da contribuição previdenciária para quem preencheu os requisitos para a aposentadoria voluntária por regra anteriormente vigente que não contemplava o direito ao abono de permanência, com efeitos a contar da data de entrada em vigor do PLCE.

O Simpa considera importante salientar que quem já adquiriu as condições de aposentadoria tem o direito de se aposentar a qualquer tempo pelas regras atuais, inclusive em relação ao cálculo dos proventos de aposentadoria, não sendo necessário encaminhar o pedido de aposentadoria antes da entrada em vigor da lei.

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No painel sobre previdência realizado online pela ASTEC, o advogado conveniado Lucas Abal Dias esclareceu que não havia a necessidade financeira desta reforma que tem apenas o objetivo de fazer caixa para a prefeitura, pois não há uma imposição constitucional que obrigue que se repita aqui a retirada de direitos que ocorreu no âmbito nacional.

Como comprovadamente não há déficit no sistema no Previmpa, são legalmente questionáveis os argumentos da exposição de motivos apresentados no projeto desta reforma. Se não há déficit não há necessidade de aumentar as idades e as contribuições. As justificativas apresentadas sem suportes técnicos não se sustentam, pois alegam uma deficiência que é da Prefeitura e não do Previmpa.

Todeschini, presidente do Conselho de Administração do Previmpa, resume que o objetivo da reforma previdenciária do Melo é que a nossa geração, que está na ativa  atualmente, além de pagar para a nossa futura aposentadoria também tenha que pagar para custear as aposentadorias de todas as gerações anteriores, que é a dívida assumida da prefeitura.  Querem que a gente pague a conta em dobro, para que a prefeitura não pague a sua parte nesta conta.

O Simpa está analisando a judicialização desta  questão enquanto aguarda a publicação do texto final da reforma da previdência aprovada.

O PREFEITO Sebastião Melo se revelou ser um Marchezan muito piorado, pois politicamente mais matreiro e ardiloso. Um político capaz de vilanias cruéis contra os servidores e a população porto-alegrense, com seu perfil de liberal bolsonarista com sanhas de privatizações. Está começando pela Carris e Procempa, mas pretende vender até a galinha dos ovos de ouro da prefeitura, em recursos e eficiência, que é o Dmae. É um entreguista do patrimônio e dos serviços públicos, terceirizando tudo para servirem de fonte de lucros do empresariado.

Que longa fase de sofrimentos está passando a categoria dos municipários de Porto Alegre!

                                                                                                                                        18/07/2021

                                                                                                                                   Celso Afonso Lima


REFORMA DA PREVIDÊNCIA E DO ESTATUTO DOS MUNICIPÁRIOS


           Quase dois anos depois das duas últimas postagens que fiz neste blog, sobre a greve dos municipários  de 40 dias em outubro/novembro/2017 e a distribuição em PDF do livro Memórias dos Municipários, constato que o blog Diário de Um Aposentando continua muito vivo, de lá até agora, em julho de 2019, teve mais de 19mil acessos. Ao ver que o blog já contabiliza 86.700 acessos desde o seu início em 2010, fiquei compelido a fazer este registro de agradecimento pela excelente acolhida dos meus textos por parte da categoria dos municipários. Para tanto julguei necessário resgatar uma resenha do que ocorreu nestes dois anos. Percebi, então, que apesar de ter acompanhado a luta sindical ferrenha que se estabeleceu com o prefake Marchezan, como aposentado acabei perdendo um pouco o fio da meada das batalhas, perdas & danos do movimento.
Se bem me lembro, enquanto rolava lá em cima no Planalto debates e protestos contra o projeto Temerário-Bolsonárico da Reforma da Previdência, aqui na capital do Sul do país o Projeto de Maldades do prefeito Marchezan de Reforma do Estatuto dos Servidores Municipais foi aprovado com folga em março/2019. Assim, depois de muita luta desde a histórica greve de 40 dias de 2017, seguida de outra também de 40 dias de julho/agosto/2018 e mais duas greves de guerrilha curtas em fevereiro e março de 2019, o crime do mandante prefeito foi cometido pelos vereadores com requintes de traição, extinguindo os direitos estatutários dos servidores municipais. Extinguiram a progressividade do percentual dos regimes; alteraram os avanços de 5% a cada três anos para 3% a cada cinco anos; extinguiram o adicional de 15% e 25% por tempo de serviço e alteraram as Funções Gratificadas (FGs) que só serão incorporadas após o funcionário completar todos os requisitos de aposentadoria voluntária. Além disso, o projeto prevê que os reajustes incidirão sobre o valor do salário básico, e não mais sobre os adicionais, o que achata ainda mais os vencimentos de servidoras e servidores do Município que já não recebem a reposição da inflação há três anos.
E lá em Brasília a injusta Reforma da Previdência também foi aprovada com folga na Câmara dos Deputados, mas menos mal que perdeu algumas das suas maldades. A Reforma aprovada perdeu o regime de capitalização em que os empregadores paravam de contribuir para a aposentadoria dos trabalhadores, perdeu sua intenção de retirar da Constituição dispositivos que protegem os cidadãos de outras reformas sem passar como PEC pela maioria absoluta de todo o Congresso Nacional, e perdeu a absurda intenção de reduzir a aposentadoria rural e o Benefício de Prestação Continuada – BPC, a ajuda aos oficialmente miseráveis da nação. Falta ainda retirar por emenda a maldade maior, a mãe de todas as maldades: a regra de cálculos dos benefícios como sendo o valor da média de todos os ganhos salariais durante a vida inteira de contribuições dos trabalhadores, e não mais sobre a média dos 80% maiores salários em que se descarta os 20% menores salários, geralmente do início de carreira, regra que rebaixará ainda mais o valor do benefício da aposentadoria. A votação em segundo turno na Câmara e a votação no Senado Federal poderá corrigir ainda algumas maldades, como as regras de transição prevista para apenas quem está até a dois anos da aposentadoria e o pedágio de 50% do tempo que falta, apesar de só poderem apresentar destaques supressivos, isto é, só podem tirar e não podem acrescentar nada ao texto aprovado. Ficam as questões espinhosas das idades mínimas e os tempos mínimos de contribuições para homens e mulheres, as categorias especiais de professores e policiais e dos imunes militares que ficaram blindados aos efeitos desse pacote de maldades das elites em nome do tal Mercado Financeiro contra o pobre povo brasileiro desempregado.
E nós municipários, como ficamos nessa balburdia desse entrevero? Por enquanto, por estratégias palacianas e parlamentares, a inclusão dos municípios e Estados nessa Reforma da Previdência deverá se dar através de uma outra PEC (Projeto de Emenda Constitucional) do Senado, que tramitará paralela à PEC da Reforma da Câmara, para fatiar a maldade de modo que com a fato consumado de uma PEC a outra seja engolida sem que se possa espernear mais.
Imagino a correria que deve estar ocorrendo de municipários pedindo aposentadoria às pressas para escapar da guilhotina das novas regras do pacote de maldades federal. Por isso mesmo penso que este blog, com sua temática sobre a aposentadoria, ganhou ainda mais protagonismo, merecendo ser retomado de alguma maneira, nem que seja para  acenar para quem está se aposentando que a vida segue livre e linda longe do mundo do trabalho, com relatos de quem já está aposentado há 8 anos, desde 2011.
E nós, classe municipária, como ficamos nessa balburdia desse entrevero em que somos atacados e saqueados por todos os lados? Continuaremos como sempre, na luta de resistência por tempos melhores: não podemos se entregar pros homens de jeito nenhum, amigos e companheiros!